Depois do jogo governamental do “Passa-ao-outro-e-não-ao-mesmo” ( o qual, sejamos francos, já vinha desde o dia da tomada de posse com o entra e sai de ministros), a miracle finally happens: Sampaio vai dissolver a Assembleia da República.
Eu sabia que este sportinguista não me iria deixar ficar mal. Para os mais distraídos , refiro-me ao Sampaio.
Olhe Sr. Presidente, lá diz o povo: Antes tarde do que nunca!
Não há nada pior do que uma insónia na noite de domingo para segunda:a semana começa logo agoirada.
Mas a que se deverá ?
1) Terá sido pela emoção de ver a Paula Coelho sair da Quinta, levando ao rubro o Sr. Avelino, que quase berrou ( fiel ao estilo do pátio das cantigas) a célebre frase: "Oh filha vamos embora qu´isto é tudo uma grande aldrabice!!"
2) Será que ainda não recuperei do artigo explosivo do Prof. Cavaco Silva e da sua teoria Gresham? ( não era preciso ir tão longe sr. professor. Qualquer peixeira do bulhão lhe poderia dizer o que os nossos actuais governantes têm que fazer : " Saiam do poleiro, cambada de chupistas!")
3) Ou dever-se-á a minha insónia ao facto de ter visto um antigo colega de escola, em directo no Herman Sic, a proclamar frases invertidas? ( isto deveria ser um sinal para aqueles pais cautelosos que ainda consideram pôr os filhos a estudar na Escola Alemã! ;) )
Depois da tempestade sempre vem a bonança... sempre achei este lugar-comum bastante piroso.
Mas que se dane, afinal hoje é domingo, está a chover e ainda estou a convalescer.
Como tal, posso-me dar ao luxo de pirosadas, devaneios, birras e comportamentos infantis que despertam os mimos da avó e da mamã.
Onde íamos ?Ah sim...falávamos de tempos de bonança.
Pois é, nem tudo está a ser mau este fim-de-semana. Afinal, isto de ficar doente até tem um lado positivo: finalmente dois dias inteiros sem fazer absolutamente nada.
Acho que ás tantas não estou com gripe, mas é apenas o meu corpo a reclamar a falta de descanso.
E que melhor para acompanhar este tão desejado dolce fare niente que uma boa banda sonora?
No passado dia 22 os U2 lançaram um novo álbum “How to dismantle na atomic bomb”, que recupera o antigo espírito U2, um tanto ou quanto camuflado quer no “Pop” quer no “All that you can´t leave behind”.
Facciosismos à parte, adorei os dois, mas já sentia saudades das sonoridades do Achtung Baby e do Joshua Tree, que este último álbum recupera tão bem.
É tão bom regressar a um lugar conhecido e sentir-nos em casa.
Assim me sinto eu ao descobrir este novo albúm...
De facto há pessoas que nunca se desligam por completo do passado...eu sou uma delas.
Os U2 pertencem a esse passado, mas mais do que isso , preenchem uma grande parte do meu presente.
Thank you guys por mais uma vez em que não me deixaram ficar mal!
Recomenda-se:
One step closer
Sometimes you can´t make it on your own
A man and a woman
Hoje acordei para um dia que descrevo como LIXADO.
É sábado e acordo espontaneamente às 8.30 a achar que é dia de trabalho. Apercebo-me do equívoco e agradeço as horas de sono que ainda me esperam.
Afinal tenho um dia de sábado inteirinho para desfrutar sem pressas ou compromissos.
Por volta do meio dia lá me levanto e eis senão quando dou por mim a sentir a cabeça pesada, dores no corpo e o nariz fungoso.
Menosprezei a coisa, atribuindo a estes sintomas uma eventual ressaca do dia anterior.
Óbvio que depois do almoço já não podia negar uma evidência: era gripe …e era forte.
Ou seja, é sábado, um dos únicos dias da semana em que não trabalho, não tenho aulas nem ginástica e em que supostamente poderia aproveitar para fazer tudo aquilo que não posso durante a semana.
Mas estou de cama, fungosa e dorida, com um big bang prestes a acontecer na minha cabeça.
De certeza que segunda-feira já estou curada e não poderei usar a gripe como desculpa para a minha preguiça.
Tinha programa para jantar que ficou adiado sine die.
O Euro milhões foi ganho…e não foi por mim.
Tento escrever alguma coisa interessante mas não consigo, já que a única coisa que neste momento fluí é ranho!
Sinto-me verdadeiramente e sem margem de dúvidas…LIXADA.
Hoje fui receber o meu diploma de curso.
Ambiente solene e presunçoso, uma pequena amostra daquilo que vivi e que me deixava pasma.
Como é óbvio, quebrei o protocolo.
Qual Bridget Jones ,saí pelo lado errado, deixei cair um dos “presentes” que tão gentilmente a Fdunl me ofereceu, corei até á raiz do cabelo, mas principalmente recordei o motivo pelo qual não gostei da minha passagem por aquela faculdade.
Em primeiro lugar, pelo exemplo que não dão.
Passo a explicar...
Na FDUNL, por um lado há uma massa de pessoas interessantes e interessadas pelo mundo e diversidade cultural.
Por outro, existem os que realmente importam: os supostos grandes génios, os que merecem uma menção especial por parte dos professores, os que em vez de um mero aperto de mão , recebem o diploma acompanhado de um beijinho e abraço saudoso.
Estes últimos vibram com a cerimónia.
Os ilustres anónimos não tanto.
Penso que é desnecessário dizer, quer pelo tom do discurso quer pelo post anterior, que eu pertenço a este segundo grupo.
O que entristece mais em toda a situação é pensar que uma faculdade é um instituto de utilidade pública que, citando um dos oradores da cerimónia de hoje, existe não para benefício dos estudantes ou professores, mas sim em prol de toda uma comunidade.
De uma comunidade que ali busca uma consolidação dos seus conhecimentos, valores e princípios básicos para a vida.
Então como é que se explica o facto desse mesmo instituto de índole pública, com a pretensão de educar massas e inculcar valores, é o primeiro a dar o pior exemplo: privilegiando um grupo restrito discriminando todos os demais, utilizando uma cerimónia de entrega de diplomas como meio de propaganda e acima de tudo, demonstrando nos actos (não nos diálogos indecifráveis e terminologias vagas) que o que somos não importa: o que vale é o que parecemos ser!
Reitero o que disse anteriormente: este é o lema das faculdades de direito e dos profissionais de direito...
Pior que isso: este é o lema da sociedade de hoje, do mundo em que vivemos...
E como me envergonho de fazer parte deste mundo legalista...
Sei que ali fui parar por engano, mas não deixo de me sentir triste.
Triste não apenas por coabitar num mundo com estes valores e estas pessoas, mas mais que tudo por ter desperdiçado o meu dia de hoje numa cerimónia que não me disse nada...que tão pouco significou.
You've got your ball You've got your chain Tied to me tight tie me up again Who's got their claws in you my friend Into your heart I'll beat again
Sweet like candy to my soul Sweet you rock and sweet you roll Lost for you I'm so lost for you You come crash into me And I come into you, I come into you In a boys dream In a boys dream
Touch your lips just so I know In your eyes, love, it glows so I'm bare-boned and crazy for you When you come crash into me, baby And I come into you In a boys dream In a boys dream
If I've gone overboard Then I'm begging you to forgive me In my haste When I'm holding you so girl... close to me Oh and you come crash into me, baby And I come into you
Hike up your skirt a little more and show the world to me Hike up your skirt a little more and show your world to me In a boys dream... In a boys dream Oh I watch you there through the window And I stare at you You wear nothing but you wear it so well Tied up and twisted, the way I'd like to be For you, for me, come crash Into me
E de repente acordávamos. Baixavas o som à televisão e com olhos ensonados e remelentos vinhas encostar a tua cabeça no meu colo. Perguntavas se eu estava bem e eu respondia-te que sim, ainda que o meu coração permanecesse acelerado, ansioso , temeroso...
Mas o teu toque trazia-me de novo á realidade, ás mesquinhices e pequenezas do meu quotidiano, às minhas preocupações que não o são, à rotina superficial e irreflectida que traz segurança aos meus dias.
Tudo não passara de um sonho...nada daquilo havia sido real. E depois contínuavamos a viver como se nada se tivesse passado e nunca tivessemos conhecido aquela história...
E mais uma vez se cumpriu o ditado de que as mulheres não se medem aos palmos.
Antes de prosseguir, cumpre deixar uma coisa bem clara: não existem mulheres pequenas...APENAS MULHERES COMPACTAS!
Uma vez puxada a brasa à minha sardinha, voltemos ao tema do post: Maria Rita ao vivo no Pavilhão Atlântico.
Apesar do sítio não ser dos melhores e da acústica deixar muito a desejar ( que saudades do ambiente intimista dos concertos no Coliseu), o concerto de Maria Rita ontem foi um “arraso”.
A casa não estava bem composta, só 3 mil pessoas assistiram à performance daquela “menina-mulher” que em palco se converte num vulcão de energia e boa disposição.
Cheguei mais cedo e assisti aos ensaios.
Deparei-me com uma mulher baixinha e com um ar infantil, que afinava os últimos acordes com a banda que a acompanha.
Duas horas depois, esse metro e meio de gente transformou-se num mulherão sensual, com uma inacreditável expressão corporal e uma voz melodiosa, que apesar do frio do que se fazia sentir lá fora, fez aquecer os presentes na sala Atlântico.
Eis a prova de que não precisamos de ser grandes para ser grande coisa.
Maria Rita ontem encheu o palco sózinha e aqui a quase homónima ficou contente com o que viu.
aos que não se esquecem de cá vir todos os dias,
ás pessoas de elogio simples mas verdadeiro,
àqueles que sabem o que querem e lutam por isso,
aos sportinguistas que estiveram em Alvalade domingo passado,
ás pessoas não rancorosas e complicadas,
aos amigos porque sim, que não nos atormentam e desempenham bem o seu papel,
aos amigos que estão fora e a quem a preguiça me impede de escrever,
ás tardes frias, passadas entre mantinhas, televisores e bolos acabados de fazer,
aos jantares de sábado à noite,
aos condutores civilizados,
aos blogs que se convertem em livros,
aos escritores anónimos da blogosfera,
aos contributors desaparecidos deste blog,
aos posts sérios ,
aos posts palhaços…
E claro, ao Gilberto Gil e ao seu Rio de Janeiro, que com certeza, continua lindo!
Parece-me que ultimamente o tempo não dá tréguas...passa a correr e não abranda ritmo perante nada nem ninguém. Momentos encadeados a uma velocidade vertiginosa, relações, sentimentos e pensamentos que não se sedimentam... e tudo graças a ele. O tempo não deixa e nós não nos podemos dar ao luxo de o perder. O que desejamos temos que obter no momento, tem que se ser já, porque se o for já depois já não é igual. Entretanto, todos os dias repetimos as rotinas e esquecemos os porquês. Uma existência atormentada por uma pressa inexplicável...e no entanto corremos sem saber para onde, sem saber para quem, sem explicar porquê. Corremos pelo carro que não temos, pela casa que queremos comprar, para a pessoa que julgamos amar, para o cinema que não podemos perder, para os filhos que temos que cuidar, para aqueles a quem tentamos agradar. Tudo cronometrado , mas no fim não se batem recordes. E no fim não conseguimos parar e só nós próprios acabamos em último lugar. Ás vezes temos o privilégio de ter a companhia de alguém...alguém que, ao contrário de muitos outros não nos abandonou, que nos encontros e desencontros da vida não perdeu o significado, que indubitavelmente é uma prioridade e não apenas uma nota ao lado de um horário da agenda. Em relação a tudo o mais, o tempo exerceo seu efeito corrosivo: deixamos de viver, deixando a vida passar através de nós. Sentamo-nos então, atormentados, acelerados, exaustos e sedentos por algo que não conseguimos explicar. O cansaço toma conta dos corpos e subitamente, deixamos de fazer as coisas bastando-nos apenas falar delas e do tempo em que ainda as fazíamos.
“TODOS OS DIAS É UM VAI E VEM A VIDA SE REPETE NA ESTAÇÃO TEM GENTE QUE CHEGA PRA FICAR TEM GENTE QUE VAI PRA NUNCA MAIS TEM GENTE QUE VEM E QUER VOLTAR TEM GENTE QUE VAI E QUER FICAR TEM GENTE QUE VEIO SÓ OLHAR TEM GENTE A SORRIR E A CHORAR E ASSIM CHEGAR E PARTIR SÃO SO DOIS LADOS DA MESMA VIAGEM”
Maria Rita, "Encontros e Despedidas"
segunda-feira, novembro 15, 2004
Gosto de me abraçar a ti, depois, de bochecha no teu peito (medes mais centímetros do que eu, o que me leva a procurar , nas ruas, o lado mais alto dos passeios), e saber que enquanto tomares conta de mim a minha vida caminhará, de acordo com imprevistos e caprichos que me escapam, de uma forma empenada mas segura.