segunda-feira, janeiro 31, 2005

"Un long dimanche de fiançailles"



Para aqueles que vão à espera de ver um "Amelie Poulin" parte 2, pois lamento informar que a tónica do filme é bastante diferente.
Em comum, têm a excelente interpretação de Audrey Toutou , que definitivamente veio para ficar, e que em ambos filmes encarna um personagem esperançoso, com um olhar misterioso e doce, que se recusa a aceitar que a vida é só aquilo que aparenta ser.
Com uma perseverança fora dos limites do imaginável, Mathilde rejeita as supostas evidências e parte em busca do seu noivo desaparecido durante um confronto na 1ª Guerra Mundial.
Busca essa que à partida se via infrutífera, desanimando qualquer pessoa que se encontrasse naquela situação, à excepção dos espectadores como eu, que se permitem sonhar por estarmos perante um filme, por estarmos perante ficção.
Porque será que às vezes na vida real é mais complicado? Será por isso que recorremos a apoios, mezinhas ou superstições, para conseguir acreditar e manter viva a esperança, tal como Mathilde o faz ao longo do filme?
Se eu conseguir escrever este post de um só vez, sem corrigir qualquer erro ortográfico, é porque nos próximos tempos serei possuidora de uma inspiração prodigiosa...
Espero que resulte comigo da mesma forma que resultou no filme! E espero que vão ver o filme , porque é bom e recomenda-se nestas noites frias que se fazem sentir.
A alma sairá certamente "
aquecida" do cinema...

sexta-feira, janeiro 28, 2005

Portugal Exporta Metade dos Seus Resíduos Perigosos para Espanha

HEHEHE! Afinal somos hermanitos para quê? Temos que ser solidário com a família.
O tuga sabe-a toda!Ah pois sabe...




Auschwitz


Já se faz tarde e não consigo escrever grande coisa.
Talvez porque certas coisas sejam inqualificáveis ou por serem tão chocantes, qualquer coisa que se diga sobre elas vai soar rídiculo, vai cair num sinistro lugar-comum.
Como foi possível? Não sei...creio que ninguém sabe...
O pior é saber que hoje atrocidades continuam a ser cometidas, que se mata indiscriminadamente e de um modo premeditado , sem no entanto existir uma verdadeira justificação que fundamente tais actos.
Houve tempos em que julguei que o Holocausto seria irrepetível.
Caía na ingenuidade de acreditar que aprendemos com os erros.
Agora começo a acreditar que o único que nos resta é recordar e rezar.
Rezar para que tenhamos de facto todos aprendido qualquer coisa com este infame epísódio da história da Humanidade.
E rezar ainda com mais fervor, para que estas cerimónias de homenagem sejam mais do que isso e despertem realmente consciências, nesta Europa teimosa onde ideologias racistas começam a proliferar de uma forma doentia e assustadora.
O que me parece é que muita gente não aprende com os erros...apenas os guardam na memória, catalogando-os como aquilo que "deveriam ter feito", guardando-os naquele plano hipotético onde todos somos perfeitos e as asneiras não se repetem.



quarta-feira, janeiro 26, 2005

Elogio fácil :

1)

Novamente à Inês Pedrosa, pela sua crónica “Ideias Peregrinas”, publicada na revista Única do Expresso desta semana. Além de ser dona de uma escrita inteligente e elaborada, sem cair ,no entanto, na arrogância e excessiva sofisticação de alguns dos seus companheiros de profissão, a escritora conseguiu expressar nesta sua última crónica, uma ideia que há muito partilho, mas até agora nunca consegui expressar de forma conveniente.

2)
À “Charlotte” ou antes Carla Hilário Quevedo, autora do blog Bomba Inteligente.
Não só por ser a autora de um blog fantástico, como também pelas suas crónicas semanais, agora publicadas em suporte de papel, também na revista Única.

3)
Ao blog O céu sobre Lisboa, onde passo diariamente e me delicio com as fotografias de beleza única, que me fazem querer viajar mais, conhecer melhor e observar com olhares milimétricos a minha cidade. Já para não falar na vontade irresistível de regressar a Madrid e ao Porto, que as ditas fotografias despertaram em mim.

4) Ao fantástico Prof. José Hermano Saraiva, não só pela pessoa notável e conhecedora que é, como também pela sua entrevista da semana passada no Prova Oral da Antena 3. Quando questionado acerca daquilo que crê ser o resultado das eleições de 2o de Fevereiro, respondeu com a inteligência que lhe é sobejamente conhecida: "Não falarei sobre o presente. Se o fizer estarei a falar de política e não de factos históricos e penso que foi por este último motivo que me convidaram para o vosso programa..." ( se a memória não me falha, foi mais ou menos assim)





terça-feira, janeiro 25, 2005

Influenza o caraças!


Ontem a gripe tomou conta de mim, mas creio que hoje já começo a tomar conta dela.
Já não me dói tanto o corpo, o nariz já começa a fungar menos, já só bebo 5 chás de limão com mel e ao telefone, já não preciso de repetir 3 vezes a frase para me fazer entender.
Parece que afinal de contas, amanhã sempre irei à Luz ver o grande jogo.
E vendo bem as coisas, esta gripe até calhou bem:
1) Atacou-me segunda-feira de manhã e não sexta-feira à noite!;
2) Dois dias de dolce fare niente;
3) Li o Expresso de uma ponta à outra;
4) Avancei umas 100 páginas no “Cavaleiros de São João Baptista, do Domingos Amaral”;
5) Encontrei a desculpa perfeita para passar o dia de pijama , enrolada numa manta;
6) Bloguei a horas decentes;
7) Dei finalmente outro uso ao leitor de Dvd´s ( ultimamente só o utilizava para ver de uma forma frenética e descontrolada episódios contínuos do Sex and the city).
Creio que há muito tempo que não dava tanto valor a estar em casa...
Vou aproveitar e regressar aos meus 10 anos, altura em que via os episódios do Poirot quase com a mesma intensidade que hoje dedido ao Seinfeld ou à minha pseudo-amiga Carrie Bradshaw.
O “Natal de Poirot”, a torradinha e o chá de limão fumegante chamam por mim.





Rita Hayworth


Quando for grande quero ser assim!

segunda-feira, janeiro 24, 2005

Tarde de domingo em Barcelona



Hoje o meu amigo JP só conseguiu sair de casa às quatro da tarde. Mal sabe ele que isso sucederá mais vezes...
Ao contrário dos outros, ainda não se sente totalmente em casa em Barcelona.
Ainda não tem uma rotina, percursos viciados, amigos estrangeiros ou portugueses com quem combine ir comer uma shoarma ao Raval.
Os outros já saíram há algumas horas e não o avisaram do que iam fazer.
Agasalha-se bem e ao pisar a rua apercebe-se pela primeira vez que nesta altura do ano faz muito mais frio em Barcelona do que em Lisboa.
Não sabe explicar o porquê mas sente-se inquieto, sem no entanto se sentir assustado.
Sente-se dono do tempo e dos seus actos, mas ao mesmo tempo sabe que segunda-feira está à porta e que o domingo tem mesmo que ser muito bem aproveitado.
Está um daqueles dias soalheiros, mas frios, que convidam a passeios pela praia e a chocolate com churros ao final da tarde.
Segue desde a Ciutadella até à Barceloneta, sempre junto ao paredão, donde pode observar os grupos de jovens que ficam estendidos na areia a sonhar com os dias de verão.
Sente subitamente saudades da Pipa e pensa com curiosidade no que se estará a passar em Lisboa nesta tarde de domingo.
Ao chegar à Barceloneta , já cansado e atacado pelo frio, resolve apanhar o metro em Urquinaona, observando do seu lado esquerdo, enquanto sobe a rua, a Catedral.
Não a recordava tão bonita desde há dois anos quando me foi visitar.
Talvez a tivesse olhado com outros olhos, com olhos de turista anónimo...Mas agora olhou-a com mais atenção, expressando pela primeira vez aquela ternura típica dos habitantes de uma cidade face a um monumento da sua cidade, relativamente ao qual se sentem orgulhosos.
Em Urquinaona uma multidão cosmopolita, enérgica e multifacetada corre em direcção à linha encarnada.
Nas tardes do domingo praticamente todos os caminhos vão dar à Plaza Catalunya e o meu amigo JP não é excepção.
Ao sair da estação, JP sente-se em hora de ponta no Rossio, mas desta feita as pessoas não estão carrancudas nem sentem pressa.

Aproveitam a sua cidade e alimentam o seu pulsar de vida...e a sua cidade retribui-lhes esse orgulho, mantendo-se sempre desperta, sempre viva, sempre em movimento para agradar a todos os catalães e não decepcionar nenhum estrangeiro que ali tenta a sua sorte e tenta criar um lar.
O meu amigo JP desce agora as Ramblas, vê os malabaristas, os vendedores de flores e aves, a senhora com a perna amputada que rasteja a pedir ajuda, o homem estátua escondido sob a sua maquilhagem...
Um dia destes já não demorará tanto tempo a descer as Ramblas...um dia destes já não as conseguirá ver com os mesmos olhos... um dia destes, sem saber porquê, já não irá a correr entrar no Easy net para se ligar ao msn, porque o tempo entretanto passou e já será hora de partida.
Um dia destes o meu amigo JP estará aqui no meu lugar, a escrever sobre Barcelona com os olhos húmidos e um nó na garganta, ao lembrar aquilo que viveu e a adivinhar ingenuamente (como eu o faço agora) , aquilo que estarão a viver os recém-chegados à minha/nossa cidade...


P.S Um beijinho muito especial para o Jp e para a Pipoca que não admite mas morre de saudades!

domingo, janeiro 23, 2005


Jordi Labanda no Sandwich&Friends...

Domingo de manhã...


Edith Piaf


Eh ben, voyons, Milord!
Souriez-moi, Milord! ...
Mieux que ça!
Un petit effort... Voilà, c'est ça!
Allez, riez, Milord!
Allez, chantez, Milord! La-la-la...

A investida demolidora do Tanque



De sonho!
Este campeonato está a ser de facto uma verdadeira caixinha de surpresas.
Mas, como sportinguista, não consigo destrinçar o que me dá mais prazer: se uma vitória do Sporting ou uma derrota do Benfica!!??
Hmmmm... esqueçam...é mesmo uma derrota do Porto!

Crónicas da cidade das 7 colinas maravilhosas...




Há que convir que nesta última semana, O mundo da ch@p@ assumiu uma vertente melancólica que não lhe é característica.
Como neste instante não me ocorre nada de hilariante ou especialmente inteligente para comentar, remeto-me aquele meu lado mais azedo e crítico: mais uma vez elevo a minha voz de cidadã contra o mau funcionamento do meu país.
De uma forma estúpida ou simplesmente burguesa ( como o meu pai tão simpaticamente a classificou), decidi sexta-feira à noite levar o carro até ao Bairro Alto.
Caí na ingenuidade de conseguir encontrar um lugar, como aliás é hábito.
Ainda para mais , ia mais cedo do que o costume.
A jeito de pressentimento, resolvi não dirigir-me imediatamente ao local , procurando um lugar próximo de um metro existente na área circundante à minha casa.
Ora, como sucede aos demais habitantes da zona de Campolide, estamos no meio de uma encruzilhada desprovida de um metro a que possamos apelidar como “nosso”.
Além de ser caótico estacionar em Campolide e de a zona ser especialmente íngreme, não há qualquer metro que a sirva, o que leva a que tenhamos que caminhar ou até ao Rato ou até S. Sebastião, para apanhar esse maravilhoso e prático engenho, que nos dias de hoje já chega a Odivelas , mas não atinge um grande número de zonas do coração da cidade de Lisboa.
Lá fui eu, cheia de boa vontade e alguma forretice, tentar estacionar o carro junto do metro de S. Sebastião.
Impossível...nem um único lugar...
Como essa é a minha zona de trabalho, não pude evitar a minha perplexidade por não existir um único lugar para estacionar, coisa que durante o dia não me tem acontecido.
Dei-me por vencida quando tentei visualizar mentalmente um metro, mais ou menos nas redondezas, com um maravilhoso e grátis parque de estacionamento, onde pudesse deixar o carro eventualmente recuperá-lo no final da noite.
E surpresa das surpresas...NÃO EXISTE TAL MILAGROSO PARQUE.
Porque a malta que engenha a fantástica e cada vez mais extensa linha do metropolitano de Lisboa, se esquece de um pequeno detalhe: enquanto não existirem parques grátis ao lado das estações do metropolitano, o Zé povinho continuará a levar carro para o centro da cidade.
Para abreviar a história, ao fim de uma hora e um quarto de voltas incessantes na zona do Chiado, Calçada do Combro, Largo do Carmo e Largo Camões, eis-me na direcção do Cais do Sodré, onde depositei o meu solitário carro ao pé da estação fluvial ( diga-se que era o único lugar livre!) e finalmente aí entrei no metro que me deixou finalmente no Chiado, exausta e à beira de um ataque de nervos.
Já para não falar nos sorridentes policias municipais com que me deparei à saída do metro, que alegremente se preparavam para mais uma maratona de multas e reboques.
Soluções:
1) Para ir de metro sem ser assaltada ou violada no caminho até S. Sebastião ( atravessar o campus da Nova não é pêra doce) terei que sair de casa com a luz do sol...ou seja, até ás 17.30 da tarde nesta altura do ano.
2) Pedir boleia a alguém com bolsos fundos e que não se importa de pagar parques na zona do Bairro Alto ( já agora, é sempre conveniente que esse alguém goste de sair de casa cedo, porque senão não somos capazes de encontrar lugar nesses sítios.)
3) Mudar de país e ir viver para uma cidade onde as coisas funcionam e fazem um bocadinho mais de sentido...Boy, how i miss New York...!!!
Provavelmente vocês terão outras soluções para me oferecer e argumentos suficientemente bons para deitar por terra toda esta minha teoria, mas que se lixe...fiquei mesmo chateada...ah pois fiquei...

Leaving on a jetplane



No espaço de uma semana e meia despedi-me de duas pessoas.
Uma rumou ao Brasil e a outra dentro de 3 horas partirá para Timor, lugares estes que com certeza as irão marcar para sempre e quiçá mudará a forma delas encararem o mundo, Portugal e a si mesmas.
Nunca antes me intimidou tanto ver amigos partir...
Talvez porque antes as viagens eram mais curtas, as experiências eram menos pensadas ou organizadas, porque as ausências se encontravam limitadas temporalmente por falta de dinheiro, férias ou pelo simples facto de existir um curso superior pendente em Portugal que convenientemente tinham que concluir.
Não estando perante nenhuma destas situações, o panorama altera-se e a nossa perspectiva também.
E eis que subitamente, aquilo que em principio era apenas mais uma viagem ou uma mera experiência curricular, ameaça tornar-se num ponto de viragem, num daqueles instantes decisivos em que se joga e se escreve a vida de alguém.
A partida custa não apenas àqueles que ficam , como também aos que partem.
Afinal de contas , qualquer mudança nos transtorna, ainda que positiva.
Mas a ausência, na generalidade dos casos, é mais penosa para os que aqui permanecem.
Hoje sinto um nó na garganta ... e mais uma vez aguentei uma despedida sem chorar.
Será por pouco tempo que a minha Sarita não estará cá...mas desta vez a ideia assusta-me mais do que qualquer outra.
Porque desta vez não a acompanharei;
Porque me sinto co-responsável por esta ida;
Porque sinto que este é um momento decisivo para a vida dela;
Porque sei que ela ainda está em Lisboa e já sinto a sua falta...