segunda-feira, setembro 24, 2007

Pitéus



A escassos quilómetros de Avis (segundo o ditado, a terra que Deus não quis!),no meio de uma planície infindável e sob um sol abrasador, chegámos a Alcórrego, situado entre Aviz e Pavia.

Segundo informações locais (um conselho que vivamente se recomenda), o local para almoçar não poderia deixar de ser “A Tasca do Montinho”, um sóbrio e quase despercebido restaurante onde descobrimos deliciosas iguarias alentejanas.

Não pretendendo graduar a gastronomia nacional e sendo-me impossível determinar qual a minha preferência, a cada garfada da açorda de espargos, recordei como é abundante em sabores e aromas a cozinha alentejana e como o prazer de comer jamais é descurado nessa zona do país..

As nossas opções foram os secretos de porco preto, acompanhados pela já mencionada açorda de espargos e sopa de cação. De entradas, não conseguimos abdicar do queijinho da terra, linguiça e farinheira frita, grão com bacalhau desfiado e tirinhas de carne de porco com alho e azeite (petisco cujo nome técnico caiu no esquecimento).

As pecaminosas sobremesas não puderam deixar de ser a acostumada sericaia, com ameixa de Elvas e um altamente calórico “Fidalgo”.

De barriga e alma satisfeita, retomámos a estrada de regresso a Ponte de Sôr, ávidos por regressar em breve ao recém-descoberto tesouro gastronómico.

A dieta aguardará por melhores dias!



“Tasca do Montinho”

Alcórrego

7480 Avis

Telefone: 242 412 954

Encerra à segunda-feira

domingo, setembro 23, 2007

Memorandum


Os jovens saem à noite, regressam a casa às sete da manhã e, horas depois, acordam rejuvenescidos e vão surfar para Carcavelos.

Os velhos,por outro lado, esquecem-se de que já não são assim tão jovens, saem até às sete da manhã e despertam do coma 48 horas depois, engravatados e em frente a um computador, a amaldiçoar a manhã de segunda-feira.

“Conheceu, então, o sabor acre do medo e o aumento abrupto de uma adrenalina desconhecida. O diagnóstico foi positivo. Os medos caíram por terra. De momento, não há motivo para alarme, não obstante ter sido aconselhada a repetir os exames de seis em seis meses.

O tudo ou nada do exame adicionou uma nova perspectiva à maturidade com a qual ainda não tinha aprendido a lidar: afinal, acresce às contas por pagar e às decisões cruciais, a doença que, até àquela data, só batia à porta do vizinho.”

quinta-feira, setembro 20, 2007

"Agenti ensina-os a ladrar e depois eles mordem n´agenti"



Em Alvalade, na noite de ontem, o carrasco do Sporting foi o menino de ouro da casa que nos recordou, de forma desconcertante, o porquê de uns jogadores chegarem ao estrelato e outros nem tanto.

Ao aproveitar, como ninguém, a oportunidade que conduziu ao golo do Manchester, Cristiano provocou na audiência um verdadeiro “acting out”: se por um lado a tristeza e a decepção do golo refrearam os ânimos elevados da primeira parte do jogo, por outro lado ninguém melhor que um dos da casa para deitar por terra o esforço da nossa equipa.

O perdão fez-se sentir imediatamente: se uma parte do estádio fazia o luto pelo jogo que, nos primeiros quarenta e cinco minutos poderia ter sido ganho por nós, uma outra parte do estádio aplaudiu Cristiano Ronaldo, numa demonstração de fair play, humildade e reconhecimento que jamais vi em Alvalade.

Confesso que não conseguiu aplaudir no momento do golo, apesar de não ter podido parar de o fazer aquando da substituição de Ronaldo (não com alívio, mas um imenso orgulho!).

A razão e o sentimento caíram por terra ontem à noite e apesar da derrota , na boca não ficou um sabor amargo.

Será que, afinal, o futebol me faz evoluir enquanto ser humano?

terça-feira, setembro 18, 2007

O post de dia 16!

Parabéns aos meus afilhados por um ano que passou sem que nos tenhamos dado conta; pela nova vida a dois; por um casamento fantástico; pelos jantares bem temperados e pelas conversas de hall de entrada intermináveis!

segunda-feira, setembro 17, 2007

O novo Código de Processo Penal

É inegável que de justiceiros todos temos um pouco. A única diferença que separa os comuns mortais dos juristas são cinco anos de Faculdade de Direito, perfeitamente dispensáveis, na óptica do cidadão, pois a justiça natural adquire-se com o nascimento.
Porém, não posso deixar de questionar a desvalorização do Direito por parte da classe jornalistica.
Com a controversa entrada em vigor do novo código de processo penal ( bem como do novo código penal), a discussão desceu à praça pública e vox populi surge para comentar e analisar criticamente as alterações legislativas, nomeadamente o novo regime de aplicação da medida de prisão preventiva e o encurtamento dos prazos, noticiados pelos repórteres de Portugal de forma alarmista e pouco fundamentada.
O povo, indignado, comenta o estatuto de preso preventivo por interposição de recurso e a saída da prisão do assassino de Santa Comba Dão, prematura segundo os mui doutos juízes das praças centrais deste país.
Olvidaram-se, porém, os incendiários repórteres de esclarecer as medidas de coacção alternativas e igualmente gravosas que poderão, eventualmente, ser aplicadas (obrigação de permanência na residência com vigilância electrónica, por exemplo).
No entanto, o alarmismo vende e a censura aos actos jornalísticos deverá ser contida, tendo em consideração o circunstancialismo que lhes está, naturalmente, subjacente.
Todavia, tal alarmismo manipula opiniões e a sociedade desatenta, pelo que alguma cautela e rigor deverão ser exigidos.
Por outro lado, não poderei deixar de me pasmar com o facilitismo com que as pessoas opinam sobre Direito e acerca de uma técnica com a qual, nem todos, estão familiarizados.
Imagine-se o que seria ser indagada, em directo para a RTP, acerca da minha opinião sobre o novo método utilizado pelo Hospital Garcia da Orta nas rinoplastias realizadas…
Pessoalmente, confesso, que teria alguma dificuldade em tecer uma opinião.


* Ver ainda "Vamolaver" da Vieira do Mar que põe o dedo na ferida como deve ser!

Pequenos nadas de um fim-de-semana

Tremoços, vinho do garrafão, minis a refrigerar na banheira do Nenuco, migas com entrecosto, muito gin e um iTunes bem apetrechado.
Conversas como cerejas, chapéus e fotografias.

E a vida é isto...simples!

quarta-feira, setembro 12, 2007

11 de Setembro

Há 6 anos atrás, minutos antes da primeira colisão, regressei de uma etapa que mudou, significativamente, a minha breve vida.
Mergulhada no típico egocentrismo púbere, não podia adivinhar que uma nova etapa se iniciava para a Humanidade.
Dias antes, tocávamos as marcas das balas da II Guerra Mundial que permanecem cravadas nos edíficios de Budapeste, temerosas mas convictas que a razão e a evolução para o pseudo-civilizado mundo em que dizemos viver, não permitiriam a repetição de tão horrendo episódio da nossa civilização.
Mas a História escapa à razão e a tábua rasa (certamente!) da experiência permite que se cometam os mesmos erros.


Não vi o telejornal ontem e abstive-me de comprar o Público. Não precisamos de auxiliares de memória, pois o 11 de Setembro vivemo-lo, diariamente, desde 2001.

Para quê dizer que o recordamos se, na realidade, nunca o esqueceremos?

terça-feira, setembro 11, 2007

Fecho de contas


Chegaram ao fim os dias de luxúria literária (“Sábado” de Ian McEwan, “O grande Gatsby” de F. Scott Fitzgerald, “Patagónia Express” de Luís Sepúlveda, “O Sorriso Etrusco” de José Luís Sampedro e o ainda por acabar “Vagabundos do Dharma” de Jack Kerouac) , de consumo compulsivo da série das “sandálias e traições”(“Rome”), de água transparente e de faenas gastronómicas,com tempero do Barlavento Algarvio.

Na memória ficam dias de tranquilidade e a certeza que Setembro é, nos dias que correm, a época de ouro para o descanso estival.

Regressemos, pois, à doce realidade.

segunda-feira, setembro 10, 2007

sábado, setembro 01, 2007

Até já!

Regresso ao paraíso ...Vale de Figueiros, Aljezur


Arrifana, Aljezur


* Retomando actividade dentro de uma semana, com as ideias refrescadas, a pele mais tostada e vestígios de sal na bagagem.

quinta-feira, agosto 23, 2007