De fora chegam notícias que exigem reciprocidade: O que contam os da casa? O que se faz por essas bandas? Como é que tens andado? Como se passam os dias?
Consoante a insistência, assim se encolhem os ombros, assim escasseiam as respostas.
O tempo reduz-se a pó, a velocidade ilusória dos dias confunde-se com o vazio.
As rotinas esvaziam o conteúdo das vidas, deixam-nos cair no anonimato, no desprendimento.
Respondo, por preguiça (e desleixe) que nada de novo há a contar. Tudo na mesma, tudo tranquilo.
Igualmente camuflado em agendas rabiscadas e ritmos de cafeína, passou um ano.
De coragem e irreversíveis mudanças .
Exactamente um ano depois é tempo de regozijo; de celebração; de acção de graças.
Vencemos. Venceste.
E, cedendo à emoção, apropriada ao delicado momento, caímos no lugar-comum: há um ano atrás, conhecemos o primeiro dia do resto das nossas vidas.
Que a memória não se perca, mas que a experiência não se repita.