quarta-feira, janeiro 16, 2008

A Dúvida

Chovia copiosamente naquele Domingo que resolvemos regressar ao teatro.
As ruas de acesso ao Teatro Maria Matos estavam ainda tranquilas, o que anunciava que a próxima sessão ainda tardava.
Seria a última do dia e aquele era o último dia da reposição da "Dúvida", de John Patrick Shanley, em exibição no Maria Matos, com a encenação de Ana Luísa Guimarães.
Um boato, uma suspeita, uma inquietação.
A coragem de questionar, o desconhecido que ousámos tentar conhecer, a incerteza que pairou no ar e com qual decidimos viver, à semelhança dos dias que correm; à semelhança dos dias que com audácia viveremos.
Um excelente elenco de actores, uma história inacabada, uma dúvida que ainda hoje persiste.
A magia que só o teatro oferece e que o cinema, apesar dos efeitos especiais, não consegue igualar.


O que fazemos quando não temos a certeza? Como tomamos decisões? De que forma nos relacionamos com o poder?

Ana Luísa Guimarães

segunda-feira, janeiro 14, 2008

Brave new world

Um primeiro dia de aulas com tudo a que se tem direito: nova sala, novos colegas, novos materiais, novas matérias e zero convites para almoçar.
Isto promete...

quinta-feira, janeiro 10, 2008

Staple Singers




Ao som destas senhoras, me despeço.

Hoje é noite de dourados e muita laca.

O que é que se há-de fazer?


Um brinde a Alcochete e à nova ligação Barreiro/Chelas.
God bless!

Comunhão de vida


"Vou-me casar."


Advogado: "Contra quem?"
Engenheiro: "Isto até lá...se a estrutura não for boa.."
Cínico: "Estás farta de estar bem, não?"
Incrédulo: " Quem?Tu?Quem diria..."

Amargura nacional ( porque só a nós assiste o direito de criticar o que é nosso!)

Ventos de mudança, proclamam os inocentes.

Procuram-se bodes expiatórios.

Alcochete: uma decisão política ou uma transferência de responsabilidade para o LNEC? Jamais!, diria Sócrates.

Procuram-se desleixados que sucumbem à ganância, à fome de poder, à vontade de brilhar. São levantados autos de contraordenação, propostas comissões parlamentares para investigar os factos ilícitos praticados. O resultado? Tarda...contrariamente ao que sucede com o esquecimento.

Produzem-se leis, aplicam-se regulamentos, proliferam directivas dos diversos organismos reguladores.

Gritam os lobbies, reclamam-se indemnizações, lucros cessantes e danos emergentes, compensações morais e festinhas no pêlo.

Todos querem uma fatia do bolo, mas este, contrariamente ao que seria de esperar, não sobeja.

Quebra-se o elo mais fraco, mas por detrás do cenário, as jogadas de bastidores mantêm-se sob o anonimato da fraternidade e do companheirismo histórico.

Este é o nosso Portugal dos pequeninos.

Pequeninos que andam distraídos com a TVI e culpam o novo código de processo penal por todas as maleitas da sociedade que ignoram...

terça-feira, janeiro 08, 2008

American Gangster


Frank Lucas: What is that you got on?

Huey Lucas:What? This?

Frank Lucas:Yeah, that.

Huey Lucas: This is a very, very, very nice suit.

Frank Lucas: That's a very, very, very nice suit, huh?

Huey Lucas: Yeah.

Frank Lucas: That's a clown suit. That's a costume, with a big sign on it that says "Arrest me". You understand? You're too loud, you're making too much noise. Listen to me, the loudest one in the room is the weakest one in the room.

American Gangster, 2007
Ridley Scott

A pausa

Imensas ideias. Anotadas na agenda, no resto de guardanapo, em mesas de restaurante do barlavento algarvio.
Ideias fervilhantes, momentos inspiradores, imensas opiniões e reflexões frequissímas e dignas de nota.
Todas perdidas, irremediavelmente, num mundo sem internet, computadores ou wireless gratuito; num sofá, gasto e ainda manchado pelo sal da época estival.
Tantas ideias desperdiçadas, na languidez dos dias passados a sul.

quarta-feira, janeiro 02, 2008

Venire Contra Factum Proprio

Deveria ser formal e unanimemente declarado pela jurisprudência que a entrada em vigor de novas leis quer a aplicação de novos coeficientes no dia 1 de Janeiro de cada ano, constitui um verdadeiro abuso de direito.

De acordo com o nosso Código Civil, o exercício de um direito deve situar-se dentro dos limites das regras da boa fé, dos bons costumes e ser conforme com o fim social ou económico para que a lei conferiu esse direito.

Sempre que se exceda tais limites, há abuso de direito. A ilegitimidade não resulta da violação formal de qualquer preceito legal concreto, mas da utilização manifestamente anormal e excessiva do direito. – art. 334.º do C.C..

Dúvidas não me parecem restar que o facto de o Estado e o fantasmagórico “Legislador” optarem pelo primeiro dia do ano (ou o dia mundialmente consagrado à ressaca) para lançarem novos métodos de nos irem ao bolso, se enquadra no normativo legal.

segunda-feira, dezembro 31, 2007

quarta-feira, dezembro 26, 2007

Confesso ter recebido um exemplar do "Rio das Flores".
Confesso que me sabe a mel ler cada uma das suas folhas.
Confesso que me é totalmente irrelevante que seja literatura comercial, direccionada às ignóbeis massas.
Opino, aliás, que a sua lombada de letras garrafais encarnadas fita a matar quando alinhada entre Proust e Ian McEwan.
Confesso (não obstante não poder assegurar que não é o açúcar a falar) que não trocaria esta pastilha elástica literária por nenhum artigo que defenda a eleição de Vladimir Putin enquanto personalidade do ano ou divagações pseudo-intelectualóides acerca do affair, no minimo visualmente desagradável, entre Sarkozy e Bruni.
Mas isto sou só eu a divagar, sob o ainda presente efeito de excesso de sonhos de abóbora, o que no "jargão jurídico" provavelmente me classificaria como inimputável.

domingo, dezembro 23, 2007

Boas Festas

Esqueçam-se as amarguras, as correrias de última hora e as compras histéricas e irreflectidas.
A amargura enterra-se em filhozes, sonhos e azevias. Rabanadas para adocicar o mau feitio e doses moderadas de açúcar são recomendadas para evitar ataques de hiperactividade.
O tempo é de serenidade.
O Natal é, sem dúvida, o momento privilegiado das familias: não se escolhe, supera-se; não se planeia, sobrevive-se.
É um caos viciante, sem o qual, no fundo, sabemos não poder viver e que acolhemos, todos os anos, com uma inocência infantil que permanece sob a máscara do queixume.

Feliz Natal, ora pois!

sexta-feira, dezembro 21, 2007

Maratona natalícia




Sem direito a medalhas de ouro, mas com direito a gloriosas úlceras nervosas!