sexta-feira, fevereiro 18, 2005

Santa Rafaela, 16 de Fevereiro de 2005 - Rita la otra




Santa Rafaela, 16 de Fevereiro de 2005


A PARTE ALEGRE DO TODO.
Porque graças a Deus, o que aqui vivemos não se resume apenas a experiências de dor e de sofrimento.
Porque é impossível de calcular quanto é que é a parte alegre do todo.
Tristeza e alegria, dor e sofrimento são sentimentos que se cruzam, tornando-se inter-dependentes. Como em tudo, um não existe sem o outro. E se é justo e correcto falar aqui de pessoas e vidas mais duras cujas estórias não podem nem devem ser esquecidas, é obrigatório referir aquelas pequenas coisas que fazem dos nossos dias momentos únicos e inesquecíveis. Coisas que não nos lembramos de contar quando falamos com Portugal. Mas coisas Importantes.
Coisas que vamos querer Lembrar quando Voltarmos.
Sons, barulhos e sensações a que já nos acostumámos.
A sensação de estarmos a viver um Presente que não conseguimos agarrar. Um Presente com um doce sabor a passado, de tão rápido que corre, e nos passa por entre as mãos.


Coisas Que Quero Lembrar Quando Um Dia Voltar.

O calor quente e abafado que segue obedientemente a chuva.
A lama que se prende nas nossas sandálias, impedindo-nos de andar, e fazendo com que soltemos gargalhadas de tão absurda que é a situação.
O adormecer ao som do vento. Ao som de grilos e de insectos que não conseguimos identificar.
O acordarmos devagarinho ao som da chuva por cima das telhas da casa
O acordar ao som dos galos que parecem jogar divertidos a ver quem cocorreia mais longe.
Os gansos, porcos, cavalos e vacas que andam nas ruas como se fossem reis e senhores. Gansos mansos que não mordem.
Porcos pequenos que não crescem.
Cavalos soltos no meio da noite, porque não têm onde ficar.
Vacas que quase nos atropelam.
O sol ardente que queima os pés, e a Zezinha a cantar “Te-le-pa-ti-aaaaaa nã nã nã nã Pa-ti-fa-ri-aaaaaa”.
A sesta, doce sesta que segue aquele almoço de feijão tropeiro, cheio de torresmos como o Jorge tanto gosta.
O pedirmos Em Brasileiro “um copo de água de suco de manga”.
O falar despreocupadamente a toda a gente que se cruza comigo.
E sentir orgulho quando oiço “Oi portuga!”.
E ainda mais orgulho quando é “Oi Rita!”.
Os desenhos animados quando visitamos alguma casa com crianças, e ver no Jorge um menino ávido de mundos imaginários, de olhos muito abertos, a olhar atentamente a pequena caixa cinzenta
Posted by Hello

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